Luanda - A Fábrica da Música
SINOPSE OFICIAL: No musseque Coca-Cola, um bairro de lata na periferia de Luanda, vivem os miúdos poetas. Podemos vê-los a lavar carros, a vender chicletes, a engraxar sapatos. O que não veríamos sem este filme era o seu sonho, o dia da gravação com o DJ Buda. Os miúdos trabalhadores juntam 1000 Kwanzas (1 coca-cola=60 kwanzas) e fazem fila à porta do estúdio do DJ Buda, que é o seu quarto na sua casa, no musseque. DJ Buda, 21 anos. Há 10 anos era um miúdo desenrascado do Coca-Cola. Descendente de uma dinastia de irmãos informatizados que encontraram no computador o seu modo de vida, Buda herdou a máquina com que grava a voz dos miúdos cantores. Nunca se viu nada assim. Os miúdos gritam os seus poemas para o velho microfone estilo Frank Sinatra, de headphones enfiados na cabeça de onde ouvem os ritmos electrónicos e electrizantes que DJ Buda compôs. Cada miúdo tem a sua história, faz o seu retrato gritado, exprime o espírito da sua rua, marca o seu território. “Somos mais calmos, por isso chamam-nos Suave”, dizem dois irmãos. Gravar é tão importante para o crescimento destes miúdos como é ter uma namorada ou fumar um primeiro cigarro. Se não gravas, não és ninguém. Tal como qualquer adulto, que se afirma pelo que é capaz de fazer. O resultado destas “Buda Sessions” é uma música a que se chama Kuduro, cujo best of é compilado num CD e vendido nos mercados. Semanalmente. Eles querem ouvir-se. E dançam. As festas que o DJ Buda organiza são um sucesso: há comes e bebes e muita dança pela noite fora. Noutros musseques, talvez o mesmo CD anime outras festas. É a força do aqui e agora, de estar vivo, de resistir.