Coisas
SINOPSE OFICIAL: Ela foi a causadora de quase tudo. Foi ela que lhe abriu o olhar ao desconcerto do mundo; desde o momento em que o chamou, e depois crescentemente, dia após dia, o desconcertou. Definitivamente, a culpa foi dela.
Porque, para ele, a organização das coisas e a funcionalidade do Sistema sempre lhe tinham dado a paz de um dia seguinte igual ao que terminava e a esperança, sempre inconfessada e cautelosamente contida de progredir, mesmo que modestamente, na vida de funcionário no Sistema. Por isso estranha que primeiro uma porta tome vida própria e lhe rasgue a mão num corte profundo, depois que um sofá adquira temperatura, insuportável, e que até um marco de correio se atreva a desaparecer, sem mais, seguido de outras extinções súbitas. E que outros fenómenos inexplicáveis e implausíveis, com crescente gravidade e dimensão, pareçam contestar a harmonia funcional de um Sistema sabiamente controlado pelo Secretariado. Que culmina na morte dela. Ressuscitada por uma lágrima, até então inexistente, absolutamente impensável.